O homem, que coroou uma 4.000 com dois pulmões transplantados | Esportes

A história de Flávio Irigoyen (Pamplona, 1975) é daquelas que vale a pena ser ouvida. Por excepcional. Por inspiradora. Porque encarna uma nova forma de entender o sucesso no esporte. Quando falamos de vitória, o que nos vem à mente do comum dos mortais é ganhar uma final, uma medalha de ouro, bater o rival bater mais um recorde… Mas Flávio está longe de tudo isso. Em sua maneira de conceber o triunfo não soam fanfarrias de fundo e, no entanto, ninguém negaria a grandeza de seu feito. Não precisou de ninguém mais do que ele mesmo para ser considerado um vencedor. O esporte tem servido para trazer à tona a melhor versão de si mesmo.

Como o fez? Graças à montanha. Flávio nos conta, com suas próprias palavras. “Nasci com fibrose cística, mas estou desde os 18 anos fazendo esporte com um grupo de amigos”, explica. “Saímos com as bicicletas, e nos fins de semana fazíamos caminhadas por Navarra, alpinismo, procurávamos cavernas… Um dia, fazendo um caminho em Urbasa aos 22 anos, me dei conta de que me custava muito o caminho de volta. – Me disso muito, não conseguia respirar. O que normalmente se fazia em uma hora e meia a mim me custou três horas”.

Três meses depois do transplante, Flávio decidiu calçar as botas e abordar a caminho de Urbasa onde o seu declínio havia começado alguns anos antes. E, desta vez, terminou sem problemas. Mas sua recuperação só tinha acabado de começar. “Aos nove meses de operação, me encorajei com um clássico de Navarra: A Mesa dos Três Reis, o ponto mais elevado da comunidade autónoma com 2.242 metros. Tive que retirar-se a 300 metros do topo, porque, então, tinha cinco ou seis horas de volta, mas chegar até lá foi incrível para mim”, explica.

“Então eu comecei a correr, a fazer um treino… a praticar um monte de esportes e a levar mais a sério a alimentação. Fiz o salto para as montanhas dos Pirenéus, eu me atrevia, com montanhas de 3.000 metros, e também participava em algumas palestras sobre como o esporte melhorou minha saúde. Em uma dessas apresentações, conheci um médico, que me propôs a fazer um tratamento em alta montanha dos Alpes. E concordei. Em 2007, nós fomos para o Breithorn (4.164 metros). Na primeira jornada acumulamos 1.200 metros de desnível. Aí eu sofri mal agudo de montanha, tanto que os médicos estavam a ponto de abortar o resto do time, mas eu disse que só precisava de descansar. No dia seguinte já estava tudo bem, e os outros 800 metros. E, ao terceiro dia, outros 800. Fiz cúpula e, em seguida, desci como havia feito, sem teleférico”, explica orgulhoso.

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